sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Ouça nosso grito Aracelli

 Foto: Arte/ TV Gazeta
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Vitória, ES, 18 de maio de 1973...
45 anos depois e muitos gritos ainda ecoam em forma de silêncio e olhares perdidos num tempo de brincar e viver...
E por todas as crianças e adolescentes, dos quatro cantos da terra, seu nome e sua dor fizeram-me desenhar esse canto de liberdade:

Pequena e bela Aracelli, de sorriso lindo, largo e brilhante...
Por que não entraste naquele ônibus?
Por que se encantou com aquele gato e ninguém a percebeu?
Tudo poderia ter sido diferente pequena e linda menina...

Tanto tempo se passou e pelo visto nada mudou...
Seu corpo machucado e desfigurado, encontrado em um canto qualquer levantou uma bandeira; fez doer e chorar um país que estampava a violência muitas vezes calada.
Mas sua luta com sombras ocultadas pelo tempo, apontou monstros enormes fantasiados de bondade em tantos lares, bares, ruas e praças...
Monstros que fazem sombra, quando deveriam ser luz, confiança, crença e amor...

Amor???!!!...
Que amor é esse Aracelli???...
Que lhe roubou o brilho, o sorriso e a paz?
Você se foi e junto seus mais belos sonhos de criança...
Nós ficamos doce e bela menina, mas muitas vezes nos são roubadas nossas fantasias, nossa esperança de ver brilhar o sol, cair a chuva e abrolhar o arco-íris...

Você nos faz imaginar a dor que viveu para morrer...
Mas nós vivemos sua dor doce criança, caminhando por túneis escuros, barulhentos, aterrorizantes que devem lembrar o escuro em que você se foi...

O tempo passou doce menina...
E em nome das milhares de crianças que vivem sua história, sem nem mesmo saber quem você foi, venho hoje soltar um grito que não é mais só seu:

Deixe-me brincar, pois ainda não sou forte para suportar essa dor!
Me ouça, não me esqueça...
Livra-me das sombras que embalam meus sonhos...
Me ensine como olvidar tudo que vivi, sem ser esquecida como você doce Aracelli!!!


Rosimar Lobato Morato
04 de maio de 2018












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