Foto: Arte/ TV Gazeta
https://www.facebook.com/rosimarlobato
Vitória, ES, 18 de maio de 1973...
45 anos depois e muitos gritos ainda ecoam em
forma de silêncio e olhares perdidos num tempo de brincar e viver...
E por todas as crianças e adolescentes, dos
quatro cantos da terra, seu nome e sua dor fizeram-me desenhar esse canto de
liberdade:
Pequena e bela Aracelli, de sorriso lindo,
largo e brilhante...
Por que não entraste naquele ônibus?
Por que se encantou com aquele gato e ninguém
a percebeu?
Tudo poderia ter sido diferente pequena e
linda menina...
Tanto tempo se passou e pelo visto nada
mudou...
Seu corpo machucado e desfigurado, encontrado
em um canto qualquer levantou uma bandeira; fez doer e chorar um país que
estampava a violência muitas vezes calada.
Mas sua luta com sombras ocultadas pelo tempo,
apontou monstros enormes fantasiados de bondade em tantos lares, bares, ruas e
praças...
Monstros que fazem sombra, quando deveriam
ser luz, confiança, crença e amor...
Amor???!!!...
Que amor é esse Aracelli???...
Que lhe roubou o brilho, o sorriso e a paz?
Você se foi e junto seus mais belos sonhos de
criança...
Nós ficamos doce e bela menina, mas muitas
vezes nos são roubadas nossas fantasias, nossa esperança de ver brilhar o sol, cair a chuva e abrolhar o arco-íris...
Você nos faz imaginar a dor que viveu para
morrer...
Mas nós vivemos sua dor doce criança,
caminhando por túneis escuros, barulhentos, aterrorizantes que devem lembrar o
escuro em que você se foi...
O tempo passou doce menina...
E em nome das milhares de crianças que vivem
sua história, sem nem mesmo saber quem você foi, venho hoje soltar um grito que
não é mais só seu:
Deixe-me brincar, pois ainda não sou forte
para suportar essa dor!
Me ouça, não me esqueça...
Livra-me das sombras que embalam meus
sonhos...
Me ensine como olvidar tudo que vivi, sem ser
esquecida como você doce Aracelli!!!
Rosimar Lobato Morato
04 de maio de 2018
